Hoje, depois de um fim de semana dedicado à limpeza da casa e a duas festas de aniversário no Domingo, aproveitando o sol que se sentia na pele, peguei num livro do Sepúlveda e lá fui para junto do rio. A ideia era sentar na esplanada e beber um café mas o cheiro do tabaco das mesas em meu redor empurrou-me mesmo para a areia onde acabei por me sentar.
Lia e olhava a paisagem. O rio estava calmo e a ondulação só aparecia quando um barco de pesca passava. Tinha esperança de ainda ver algum golfinho... tenho sempre essa esperança quando vou para junto do rio, mas só vi mesmo a passarada que se deliciava a comer os restos que os pescadores atiravam à passagem dos barcos.
Li, sobre paragens frias, quartos sem aquecimento em cidades com neve. Contrastava com o calor tão bom que sentia no rosto e na minha barriga. A leitura foi só interrompida por um telefonema da minha mãe. Aproveitei a conversa para caminhar. Enquanto falávamos em caminhava junto ao rio. Afinal ainda tinha meia hora para «queimar» antes de ir buscar as crias à escola.
Quando o telefonema acabou continuei a caminhar. No mesmo percurso tinha imensa companhia de estranhos. De velhos e novos, de muitos cães e seus donos, aproveitando esta liberdade inesperada destes dias de Janeiro, de Inverno, que mais não são do que uma Primavera antecipada. Gostava de ter comigo ou o mariduxo ou as crias a correr à minha frente... ou os 3 em simultâneo. Ainda seria melhor. Mas estava acompanhada da minha Margarida. E enquanto apanhava fragmentos das pessoas que se cruzavam comigo, «ai que me dói tantos as costas!», «passa os dias em casa sem fazer nada», etc.. pensei como tenho sorte. Como a vida, apesar de não ser perfeita em muitos aspectos, é a mais perfeita que podia imaginar para mim neste momento. A beleza da paisagem podia mesmo sugerir estes pensamentos. Afinal não vivo na cidade que escolhi, mas é a cidade que me recebeu... e que aprendi a gostar e me tem revelado muitos aspectos positivos. Mas tenho duas filhas lindas, inteligentes, amorosas e um maridão que excede tudo o que imaginei... e daqui a pouco tempo também eu vou estar a passear naquele mesmo lugar, com aquela vista deslumbrante, a minha pipoca bebé... mais uma vez, a criar uma vida e a dar o melhor de mim para que se torne maravilhosa no que escolher ser. Se isto não merece este sentimento de gratidão para com o UNiverso... não sei o que merece.

Ah, «como é bom não fazer nada e depois descansar!»...Bonito texto.
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