sexta-feira, 8 de janeiro de 2016

A grande pica

A hora estava marcada há uma semana... 11h para estar no hospital. Dormi tranquila, tentei não pensar muito no caso. Acordámos à hora do costume. Despachámos as crias para o pai as deixar na escola e eu fiquei a ultimar detalhes. Já tinha passado o dia anterior todo a cozinhar. Deixei uma travessa de bacalhau com natas, lasanha de atum, strogonof de frango e sopa de feijão e espinafres no frigorifico. De manhã fiz a cama no sofá, pois não podia subir as escadas para o 1.º andar, tratei dos animais e lá fomos fazer as últimas compras para estes dias de reclusão.
Quando cheguei ao hospital já comecei a sentir a pressão do momento. Não é tanto o medo da agulha, é a possibilidade dela tocar no bebé... embora todas as pessoas que conhecia me falassem bem do médico, da sua experiência e calma, não deixa de ser uma agulha enorme a entrar no T0 onde está tão descansado.
Fizemos a inscrição. Esperámos pouco tempo até entrar no gabinete. Gostei da equipa que lá estava. Todos muito simpáticos e atenciosos. Cheios de expectativas pois sabiam que tinhamos já duas meninas. Lá se explicou que não fomos à procura de nenhum rapaz... sério. Até prefiro meninas para ser sincera. Mas a expectativa de todoa estava depositada nisso... LOL.
O médico fez uma ecografia super completa antes de passar «à acção». Mediu tudo o que se faz na morfológica e disse que estava tudo de acordo com a idade gestacional, com variação de 1 dia apenas.
O sexo foi fácil de ver. Saltava à vista pois o bebé não tem grande pudor. Anunciamos em breve o que será pois queremos mesmo que as crias sejam das primeiras a saber. Só hoje quando me levantar da minha posição horizontal e ganhar alguma mobilidade, dará para preparar a pequena surpresa que imaginámos.
A pica em si... Bem, o aparato de desinfectar a barriga, colocar o papel com o espaço da «intervenção», a enorme agulha... eu fechei os olhos e só queria imaginar que estava numa praia e que as minhas mãos encaminhavam todo o calor do sol para o útero. Diziam-me para não mexer mesmo e assim o fiz. Claro que quando a agulha começou a entrar reagi, mas sem me mover, pois aquilo parecia como aqueles aparelhos exploratórios do solo, que perfuram vários tipos de camadas, todas elas com resistências diferentes. Senti isso tudo... a perfurar cada camada. Mas não era dor o que sentia. Uma impressão. E depressa disseram que já estava. Nova eco para ver se havia hemorragia na zona de entrada da agulha e ouvir os batimentos cardíacos para detectar variações. Tudo OK. Ordem para repousar 48h e levantar para ir ao WC e comer na mesa e depois 8 dias de pouco esforço.  
Desde que atravessei a porta de casa nesse dia cumpri religiosamente as recomendações. Estou neste momento absolutamente fartinha do sofá. Como o rapaz se recusou a dormir sozinho na caminha, temos dormido ambos mal bem apertadinhos no sofá... mas também prefiro assim do que sozinha.
As refeições feitas têm dado imenso jeito pois retiram grande parte do stress a ambos. Só amanhã terei de fazer algo e serei minimalista no esforço.
Soubemos 24h depois do exame que os primeiros resultados estavam bem e que o sexo do bebé se confirmava. :)

E estamos radiantes...

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